A bolsa brasileira registrou 74 ofertas públicas iniciais em 2020 e 2021. Depois, não houve novas estreias até o fim de 2025. O movimento evidencia a importância do ambiente de mercado.
O gráfico mostra uma mudança marcante na abertura de capital de empresas na B3. Foram 28 IPOs em 2020 e 46 em 2021 — 74 no total. A própria B3 confirma os números e informa que, em 2020, IPOs e ofertas subsequentes de ações (follow-ons) captaram juntos R$ 117,7 bilhões. Em 2021, foram 46 IPOs e 26 follow-ons, que somaram R$ 130,5 bilhões. Esses valores são do conjunto das ofertas, não apenas dos IPOs.
A alta não continuou, não houve IPOs entre 2022 e 2025. Uma reportagem publicada em dezembro de 2025 também registrou que a última estreia na bolsa havia ocorrido em setembro de 2021.
O que um IPO representa
IPO é a primeira oferta pública de ações de uma empresa na bolsa. A operação pode dar acesso a recursos para financiar expansão, tecnologia ou aquisições, além de ampliar a visibilidade da companhia.
Nas ofertas primárias, a empresa emite ações e recebe os recursos. Na secundária, acionistas atuais vendem ações; o dinheiro vai para eles, não diretamente para o caixa da companhia. A B3, por exemplo, classificou como secundária a oferta da Compass, que estreou em maio de 2026, após quase cinco anos sem IPOs no Brasil.
Como políticas pró-mercado podem influenciar
Há mecanismos econômicos pelos quais políticas associadas à abertura de mercados podem favorecer o financiamento privado. Regras previsíveis, concorrência, acesso a investidores e menor dificuldade para empresas entrarem no mercado podem ampliar as opções de financiamento e facilitar a captação de recursos para projetos de crescimento.
Uma revisão do Banco Mundial sobre pesquisas de mercado de capitais encontrou associação entre mercados mais desenvolvidos, crescimento e financiamento da inovação. O estudo aponta como condições relevantes a estabilidade macroeconômica, instituições financeiras desenvolvidas, abertura financeira, proteção aos investidores e segurança jurídica.
Juros e incerteza também pesam
O período do boom coincidiu com juros muito baixos: em agosto de 2020, o Banco Central reduziu a Selic para 2% ao ano. A taxa chegou a 13,75% em agosto de 2022. Juros mais altos podem tornar aplicações de renda fixa relativamente mais atraentes e elevar o custo de financiamento das empresas.
Em 2024, a Reuters relatou que empresas e profissionais do mercado citavam juros elevados, incertezas fiscais e riscos externos entre os fatores que dificultavam novas ofertas. É um contexto que ajuda a interpretar a pausa, mas não demonstra que um único fator — ou uma única decisão de governo — a tenha causado.
Assim, os números mostram um boom de aberturas de capital em 2020–21 e uma interrupção entre 2022 e 2025. Eles ajudam a explicar por que mercados de capitais acessíveis e confiáveis podem ser úteis para empresas e para o financiamento de investimentos.
