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	<title>Economia &#8211; Portal BR</title>
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	<description>Notícias no Brasil</description>
	<lastBuildDate>Thu, 30 Jul 2026 06:44:42 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Economia &#8211; Portal BR</title>
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		<title>Custo Brasil é o maior problema da indústria brasileira</title>
		<link>https://www.portalbr.com.br/custo-brasil-e-o-maior-problema-da-industria-brasileira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Portal BR]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 06:44:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[O principal obstáculo pode ser resumido como Custo Brasil: a combinação de impostos complexos, juros altos, infraestrutura deficiente, burocracia, insegurança jurídica e baixa qualificação profissional. Em pesquisa da CNI com 1.002 empresários, 70% apontaram o cumprimento das obrigações tributárias como o maior problema do Custo Brasil. Em seguida apareceram a falta de mão de obra [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">O principal obstáculo pode ser resumido como <strong>Custo Brasil</strong>: a combinação de impostos complexos, juros altos, infraestrutura deficiente, burocracia, insegurança jurídica e baixa qualificação profissional. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Em pesquisa da CNI com 1.002 empresários, 70% apontaram o cumprimento das obrigações tributárias como o maior problema do Custo Brasil. Em seguida apareceram a falta de mão de obra qualificada, com 62%; o financiamento, com 27%; e a insegurança jurídica e regulatória, com 24%. É importante observar que a CNI representa o setor industrial, portanto esses números mostram a percepção empresarial, não uma medição neutra de toda a economia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além do valor dos impostos, existe o custo de calcular, declarar, interpretar e discutir tributos diferentes nos âmbitos federal, estadual e municipal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">União, estados, municípios e Congresso construíram esse sistema ao longo de décadas. A reforma tributária pretende substituir tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por CBS e IBS, reduzir a tributação em cascata e diminuir disputas judiciais, entretanto, a longa transição até 2033 e a adaptação dos sistemas fiscais criam novos custos no curto prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A taxa Selic estava em 14,25% ao ano após a reunião de junho de 2026. Isso encarece empréstimos para compra de máquinas, ampliação de fábricas, formação de estoques e capital de giro. Empresas menores sofrem ainda mais porque normalmente pagam taxas bem superiores à Selic.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Decisões do governo sobre gastos, arrecadação, dívida pública e credibilidade fiscal influenciam a inflação esperada e o custo dos juros. O governo pode contribuir para juros menores apresentando contas públicas previsíveis, evitando despesas sem financiamento permanente e reduzindo incertezas sobre a trajetória da dívida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rodovias ruins, dependência excessiva do transporte rodoviário, portos congestionados, poucas ferrovias e dificuldades de armazenagem aumentam o preço dos produtos brasileiros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo levantamento divulgado pela CNI, o Brasil investe aproximadamente 1,6% a 2% do PIB por ano em infraestrutura, enquanto a entidade calcula que seriam necessários cerca de 4%. Em 2024, aproximadamente 70,5% dos investimentos do setor vieram da iniciativa privada, demonstrando o peso crescente das concessões.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cabe ao poder público planejar obras, conceder projetos viáveis, garantir segurança contratual, fiscalizar serviços e concluir investimentos, porém, o problema também envolve administrações estaduais e municipais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A indústria encontra dificuldades para contratar técnicos em manutenção, automação, programação, soldagem, mecânica, eletrônica e operação de equipamentos modernos. O SENAI estima que o país precisará qualificar mais de 9,4 milhões de trabalhadores até 2028.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso reduz a produtividade, aumenta custos e atrasa a adoção de novas tecnologias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A qualidade da educação básica, o ensino técnico e a articulação entre escolas e empresas dependem de políticas públicas. Entretanto, as próprias empresas também precisam investir em treinamento, formação contínua, gestão e melhores condições para reter profissionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mudanças frequentes de regras, interpretações tributárias divergentes, demora em licenciamentos, disputas trabalhistas e decisões administrativas contraditórias dificultam o planejamento de longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma fábrica pode levar anos para recuperar o investimento feito em máquinas e instalações. Quando as regras mudam continuamente, a empresa adia o projeto ou transfere o investimento para outro país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Executivo, Congresso, agências reguladoras, estados, municípios e Judiciário participam desse ambiente,   o governo federal deve ter a responsabilidade de coordenar simplificação, digitalização e estabilidade regulatória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parte da indústria opera com equipamentos antigos, baixa digitalização e pouco investimento em pesquisa. O Brasil também tem dificuldades para transformar conhecimento acadêmico em produtos comerciais e integrar empresas menores às cadeias tecnológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma boa política industrial precisa exigir resultados: aumento de produtividade, exportações, inovação, redução de emissões e geração de empregos qualificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O atual governo tem responsabilidade principalmente quando:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>não transmite segurança sobre a evolução dos gastos e da dívida;</li>



<li>demora a concluir obras ou concessões importantes;</li>



<li>cria regras tributárias sem tempo suficiente para adaptação;</li>



<li>utiliza crédito subsidiado e proteção comercial sem exigir produtividade;</li>



<li>não melhora rapidamente a educação técnica;</li>



<li>modifica normas econômicas de maneira imprevisível.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O governo possui grande responsabilidade pelo ambiente no qual a indústria trabalha, mas não é o único culpado. O setor privado também precisa modernizar a gestão, investir em tecnologia, treinar trabalhadores e competir sem depender permanentemente de proteção estatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem essas mudanças, a indústria brasileira continuará competitiva em alguns setores, mas enfrentará dificuldades para produzir bens tecnológicos, aumentar exportações e gerar empregos mais qualificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Desmatamento ilegal coloca produtos brasileiros no centro de nova disputa comercial com os Estados Unidos</title>
		<link>https://www.portalbr.com.br/desmatamento-ilegal-coloca-produtos-brasileiros-no-centro-de-nova-disputa-comercial-com-os-estados-unidos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Portal BR]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 22:27:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[A elevada proporção de desmatamento sem autorização na Amazônia passou a ser utilizada pelos Estados Unidos como argumento para elevar a pressão comercial sobre o Brasil. Em 15 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A elevada proporção de desmatamento sem autorização na Amazônia passou a ser utilizada pelos Estados Unidos como argumento para elevar a pressão comercial sobre o Brasil. Em 15 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, com algumas exceções.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desmatamento ilegal aparece entre as justificativas apresentadas pelo governo de Donald Trump. No entanto, não é o único motivo da medida. A investigação norte-americana também envolveu comércio digital, propriedade intelectual, tarifas brasileiras, combate à corrupção e acesso do etanol dos Estados Unidos ao mercado nacional. Portanto, seria impreciso afirmar que toda a taxação foi criada exclusivamente por causa da Amazônia.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que representa o índice de 91%</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Um levantamento do Instituto Centro de Vida apontou que <strong>90,8% do desmatamento identificado na Amazônia entre agosto de 2023 e julho de 2024 ocorreu sem autorização ambiental conhecida</strong>. A floresta perdeu aproximadamente 6.288 quilômetros quadrados no período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse dado exige uma distinção importante. O percentual não significa que 91% do desmatamento tenha sido provocado exclusivamente pela retirada comercial de madeira. Desmatamento é a eliminação completa da vegetação para mudança do uso da terra, frequentemente ligada à abertura de pastagens, ocupação irregular, grilagem e expansão agropecuária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos do MapBiomas mostram que mais de 90% das áreas desmatadas na Amazônia ao longo das últimas décadas foram posteriormente transformadas em pastagens. A madeira retirada pode entrar no mercado legal ou clandestino, mas muitas derrubadas têm como objetivo principal liberar a terra para outras atividades econômicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso não diminui a gravidade do problema. Uma derrubada sem autorização representa concorrência desleal porque seus responsáveis podem evitar despesas com licenciamento, manejo, reposição florestal, rastreabilidade, impostos e cumprimento de normas trabalhistas e ambientais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Madeira ilegal pressiona os preços internacionais</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Na avaliação apresentada pelo USTR, a exploração ilegal reduz artificialmente os custos de produção e coloca os fornecedores que cumprem as regras em desvantagem. O órgão norte-americano citou estudos segundo os quais a entrada de madeira ilegal no comércio mundial pode reduzir entre 7% e 16% o valor da madeira de origem legal, dependendo do produto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse impacto alcança produtores dos Estados Unidos que trabalham com florestas manejadas, reflorestamento e cadeias produtivas fiscalizadas. O Serviço Florestal norte-americano reconhece a madeira como recurso renovável e material sustentável quando retirada de florestas administradas de maneira responsável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os Estados Unidos também aplicam a Lei Lacey, que proíbe a importação e o comércio de plantas e produtos florestais retirados ilegalmente no país de origem. Importadores de diversos produtos de madeira precisam declarar espécie, procedência e país de extração, podendo sofrer sanções caso comercializem material ilegal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Diante disso, a posição norte-americana é que a falta de fiscalização efetiva no Brasil permite que produtos mais baratos, associados direta ou indiretamente ao desmatamento ilegal, disputem mercado com madeira produzida legalmente nos Estados Unidos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Taxação pode atingir também quem trabalha legalmente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A tarifa generalizada cria outro problema: empresas brasileiras que possuem certificação, autorização ambiental, reflorestamento e rastreabilidade também podem ser prejudicadas. Ao atingir grande parte das exportações nacionais, a medida não separa automaticamente produtores legais de operadores envolvidos em crimes ambientais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com produtos brasileiros mais caros nos Estados Unidos, podem ocorrer perda de contratos, redução das exportações, fechamento de postos de trabalho e deslocamento das vendas para outros países. O consumidor norte-americano também pode enfrentar preços mais elevados quando não houver fornecedores domésticos capazes de substituir rapidamente as importações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, restrições direcionadas às empresas e propriedades sem rastreabilidade podem ser mais eficientes ambientalmente do que uma tarifa ampla. Sistemas integrados de controle, identificação geográfica da origem, auditorias independentes, apreensão de madeira ilegal e punição dos compradores ajudariam a retirar os criminosos do mercado sem penalizar toda a economia brasileira.</p>



<h2 class="wp-block-heading">A Amazônia como questão econômica</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Durante muitos anos, o debate sobre a Amazônia ficou concentrado na preservação da biodiversidade e no controle das emissões de carbono. A recente decisão dos Estados Unidos mostra que a floresta também se tornou uma questão comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a madeira ilegal entra no mercado com preços reduzidos, ela prejudica tanto as florestas brasileiras quanto os produtores que cumprem a legislação no Brasil, nos Estados Unidos e em outros países. O crime ambiental deixa de ser apenas um problema interno e passa a alterar a concorrência internacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O governo Lula precisa demonstrar fiscalização, rastreabilidade e punições capazes de reduzir o percentual de derrubadas sem autorização. O governo Trump, por sua vez, precisa provar que suas tarifas têm finalidade ambiental e comercial legítima, e não funcionam apenas como instrumento de pressão política contra Brasília.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A saída mais consistente não está em transformar a Amazônia em arma de uma guerra ideológica. Está em distinguir os produtores responsáveis dos criminosos, impedir que madeira ilegal seja “lavada” dentro das cadeias produtivas e garantir que nenhum país conquiste mercado destruindo florestas ou desrespeitando suas próprias leis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto isso não ocorrer, a floresta continuará pagando o preço ambiental, os produtores legais arcarão com o prejuízo econômico e as relações entre Brasil e Estados Unidos permanecerão subordinadas a uma disputa política que ultrapassa a questão das tarifas.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Desigualdade no Brasil: quando o Estado, em vez de corrigir, amplia as diferenças</title>
		<link>https://www.portalbr.com.br/desigualdade-no-brasil-quando-o-estado-em-vez-de-corrigir-amplia-as-diferencas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Portal BR]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 03:14:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.portalbr.com.br/?p=1459</guid>

					<description><![CDATA[O Coeficiente de Gini mostra que a renda continua fortemente concentrada; impostos sobre o consumo, privilégios fiscais, benefícios mal direcionados e serviços públicos desiguais ajudam a explicar como decisões estatais podem reproduzir o problema A desigualdade brasileira costuma ser atribuída apenas ao mercado de trabalho, às diferenças de escolaridade ou à concentração histórica da propriedade. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h2 class="wp-block-heading">O Coeficiente de Gini mostra que a renda continua fortemente concentrada; impostos sobre o consumo, privilégios fiscais, benefícios mal direcionados e serviços públicos desiguais ajudam a explicar como decisões estatais podem reproduzir o problema</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade brasileira costuma ser atribuída apenas ao mercado de trabalho, às diferenças de escolaridade ou à concentração histórica da propriedade. Esses fatores são importantes, mas não explicam tudo. O próprio Estado, que deveria reduzir as distâncias sociais, também pode ampliá-las quando cobra proporcionalmente mais de quem tem menos, concede vantagens a grupos organizados e oferece serviços públicos de qualidade muito diferente conforme a renda e o local de nascimento do cidadão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse efeito aparece quando se observa o <strong>Coeficiente de Gini</strong>, indicador utilizado para medir a concentração de renda. O índice varia de zero a um: quanto mais próximo de zero, mais igualitária é a distribuição; quanto mais perto de um, maior a concentração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, o Gini do rendimento domiciliar por pessoa no Brasil ficou em <strong>0,511</strong>, acima dos 0,504 registrados em 2024. Embora o resultado ainda tenha sido melhor que o de 2019, quando o índice chegou a 0,543, o avanço entre 2024 e 2025 interrompeu a trajetória recente de redução. A Região Sul permaneceu com o menor nível de desigualdade entre as grandes regiões do país.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O indicador não revela toda a concentração patrimonial, pois analisa principalmente os rendimentos captados pelas pesquisas domiciliares. Ainda assim, mostra uma realidade persistente: o crescimento econômico e a elevação da renda média não garantem que os ganhos sejam distribuídos de maneira equilibrada.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Estado não é neutro na distribuição da renda</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Toda decisão pública produz efeitos distributivos. Quando o governo cria um imposto, concede uma isenção, define uma aposentadoria, estabelece o salário de uma carreira pública ou decide onde construir uma escola, ele influencia quem ficará com uma parcela maior ou menor dos recursos disponíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A intervenção estatal pode reduzir desigualdades. Transferências de renda, educação pública, saúde, salário mínimo, assistência social e investimentos em infraestrutura ajudam milhões de pessoas. Entretanto, o sentido contrário também existe: determinadas políticas retiram proporcionalmente mais dos pobres e entregam benefícios maiores aos grupos que já possuem renda, patrimônio e capacidade de influência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, a discussão não deve ser resumida à oposição entre “mais Estado” e “menos Estado”. A questão central é <strong>qual Estado, financiado por quem e funcionando em benefício de quem</strong>.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Impostos sobre o consumo pesam mais sobre os pobres</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das principais formas pelas quais o poder público reproduz desigualdade está no sistema tributário. O Brasil historicamente arrecada uma parcela elevada de seus tributos por meio do consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Impostos embutidos nos preços de alimentos, energia, roupas, produtos de higiene, transporte e outros bens são pagos por todos. Contudo, seu peso relativo é muito maior para as famílias pobres, que precisam utilizar quase toda a renda para consumir itens básicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma pessoa que recebe pouco pode comprometer praticamente todo o salário com produtos tributados. Quem possui renda elevada consome apenas uma parte do que ganha e consegue poupar, investir ou acumular patrimônio. Assim, mesmo que duas pessoas paguem a mesma tributação ao comprar determinado produto, o impacto sobre o orçamento de cada uma é muito diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos do Ipea classificam o sistema tributário brasileiro como regressivo: o gasto social contribui para diminuir a concentração econômica, enquanto a estrutura de impostos, especialmente os indiretos, atua em sentido contrário.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levantamentos anteriores do instituto mostraram que famílias pobres comprometiam cerca de 30% da renda com impostos indiretos, enquanto o percentual entre os mais ricos ficava próximo de 12%. As proporções podem mudar ao longo do tempo, mas o mecanismo permanece: tributar fortemente o consumo tende a pesar mais sobre quem ganha menos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Tributação direta corrige menos do que poderia</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Impostos sobre renda e patrimônio poderiam compensar a regressividade da tributação sobre o consumo. No Brasil, porém, esse efeito redistributivo é limitado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico calculou que os tributos diretos reduziam a desigualdade de renda brasileira em aproximadamente 5%, enquanto a redução média entre os países da organização chegava a 12%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso significa que o Estado brasileiro arrecada muito, mas reorganiza a renda de forma menos eficiente do que poderia. O problema não está apenas no tamanho da carga tributária, mas em sua composição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Deduções, rendimentos isentos, tratamentos especiais e baixa tributação de determinadas formas de renda podem favorecer pessoas que já se encontram entre os grupos superiores da distribuição. Pesquisa do Ipea sobre benefícios no Imposto de Renda identificou vantagens que reduzem as alíquotas efetivas pagas por parcelas de maior renda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, um trabalhador que recebe salário formal tem o imposto descontado regularmente. Já pessoas com acesso a estruturas empresariais, planejamento tributário e diferentes modalidades de rendimento podem encontrar formas legais de reduzir a tributação efetiva.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Renúncias fiscais também distribuem recursos públicos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o governo concede isenção, redução de alíquota ou tratamento tributário favorecido, ele abre mão de uma receita que poderia financiar serviços públicos. Essa renúncia funciona como uma forma indireta de gasto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Tribunal de Contas da União estimou que os gastos tributários federais alcançariam <strong>R$ 544,5 bilhões em 2025</strong>, correspondentes a aproximadamente 4,4% do Produto Interno Bruto e a 24% da arrecadação federal projetada. O valor era superior a três vezes o orçamento previsto para o Bolsa Família naquele exercício.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nem todo benefício fiscal é injustificado. O Simples Nacional, por exemplo, pode facilitar a sobrevivência de pequenos negócios; incentivos também podem estimular setores estratégicos, regiões pobres, inovação ou geração de empregos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema surge quando os benefícios são mantidos sem metas claras, prazo de encerramento, transparência ou avaliação dos resultados. Nesse caso, o Estado pode transferir grandes volumes de recursos para setores organizados sem demonstrar retorno equivalente para a população.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto programas sociais passam por permanente debate sobre seus custos e beneficiários, parte das renúncias tributárias permanece distante da fiscalização cotidiana do cidadão.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Privilégios públicos criam uma desigualdade financiada por todos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto sensível é a existência de diferenças muito elevadas dentro do próprio setor público. O Estado precisa remunerar adequadamente professores, profissionais de saúde, policiais, técnicos e servidores responsáveis pela prestação de serviços essenciais. A desigualdade aparece quando determinadas carreiras conquistam vantagens muito superiores às oferecidas a trabalhadores com qualificação semelhante no setor privado ou a outros funcionários públicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudo do Banco Mundial identificou um prêmio salarial médio no setor público brasileiro e concluiu que remunerações superiores às de profissionais comparáveis da iniciativa privada contribuem para a desigualdade, especialmente porque muitos dos beneficiários se encontram nas faixas superiores de renda. O efeito não ocorre igualmente em todo o funcionalismo: trabalhadores municipais de saúde e educação, por exemplo, costumam estar em situação diferente da elite das carreiras federais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma análise internacional do Banco Mundial estimou um prêmio de aproximadamente 45% para novos integrantes de determinadas carreiras do serviço público federal brasileiro, em comparação com profissionais semelhantes do setor privado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O problema, portanto, não é a existência do servidor público, mas a concentração de salários, adicionais, aposentadorias e proteções em grupos com maior capacidade de pressão política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o cidadão pobre paga impostos sobre alimentos e energia para financiar benefícios muito acima da realidade média do país, o Estado deixa de corrigir a desigualdade e passa a participar de sua produção.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Previdência pode proteger e também reproduzir diferenças</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A Previdência Social possui enorme importância para a redução da pobreza, especialmente entre idosos e famílias de pequenos municípios. Benefícios do Regime Geral, aposentadorias rurais e o Benefício de Prestação Continuada sustentam milhões de pessoas e movimentam economias locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, nem todas as modalidades previdenciárias possuem o mesmo efeito distributivo. Estudos do Ipea indicaram que aposentadorias e pensões de alguns regimes próprios do funcionalismo apresentavam efeito regressivo, pois seus valores se concentravam em grupos de renda mais elevada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Previdência, portanto, reúne mecanismos muito diferentes. Um benefício básico pago a uma pessoa pobre tende a reduzir a desigualdade. Uma aposentadoria muito superior à renda média nacional, parcialmente financiada pelo conjunto da sociedade, pode ampliá-la.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O debate precisa diferenciar a proteção social destinada a evitar a pobreza dos privilégios previdenciários concentrados em parcelas reduzidas da população.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Pequenos negócios enfrentam um sistema criado para grandes estruturas</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade estatal também aparece no ambiente empresarial. Grandes companhias dispõem de departamentos jurídicos, contábeis e tributários capazes de aproveitar incentivos e administrar normas complexas. Microempresas e trabalhadores autônomos raramente possuem a mesma estrutura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O sistema brasileiro de tributação do consumo foi marcado durante décadas por regras fragmentadas, obrigações diferentes entre estados e municípios e custos elevados de conformidade. A OCDE aponta que essa complexidade aumentou custos empresariais, distorceu cadeias produtivas e dificultou o comércio entre os estados. A reforma tributária aprovada em 2023 começou a ser implementada para enfrentar parte desses problemas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando o Estado cria burocracia excessiva, a empresa maior consegue contratar especialistas. O pequeno empreendedor perde tempo, paga proporcionalmente mais para cumprir as obrigações ou permanece na informalidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Licenças demoradas, insegurança jurídica e regras pouco claras podem funcionar como barreiras de entrada. O resultado é a proteção indireta de quem já está estabelecido e a redução das oportunidades para quem tenta iniciar um negócio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Serviços públicos diferentes produzem cidadãos com oportunidades diferentes</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A ação estatal não se limita a impostos e transferências. A qualidade dos serviços públicos interfere diretamente na renda futura das pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma criança que frequenta escola bem estruturada, com professores estáveis, internet, biblioteca e atividades complementares começa a vida em condição diferente daquela que estuda em um prédio precário e enfrenta interrupções constantes. O mesmo ocorre com saúde, saneamento, transporte e segurança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Duas pessoas podem possuir formalmente os mesmos direitos, mas receber serviços completamente diferentes conforme o município, o bairro ou a região onde vivem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A desigualdade de acesso gera um ciclo. Famílias com maior renda pagam escola, plano de saúde, transporte e segurança privados. As famílias pobres dependem integralmente da qualidade do serviço oferecido pelo Estado. Quando esse serviço falha, quem já possui menos recursos sofre o impacto maior.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O Estado também é parte da solução</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Apontar a responsabilidade estatal pela desigualdade não significa negar os efeitos positivos das políticas públicas. Seria incorreto afirmar que toda intervenção governamental amplia a concentração.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estudos sobre o Brasil mostram que gastos com saúde e educação possuem forte efeito redistributivo. Uma avaliação reunida pelo Ipea concluiu que esses serviços responderam por parcela majoritária da redução da desigualdade promovida pela política fiscal analisada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Transferências de renda, ampliação do acesso à educação e políticas como o Bolsa Família também contribuíram historicamente para a diminuição da pobreza e da desigualdade brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso revela uma aparente contradição: o mesmo Estado que reduz desigualdades por meio da escola pública, do SUS e da transferência de renda pode recriá-las por meio da tributação regressiva, dos privilégios e das renúncias mal avaliadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O resultado final depende de qual força é maior.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Não basta arrecadar mais</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O Brasil frequentemente discute a desigualdade como se a única solução fosse elevar a arrecadação ou ampliar despesas. Entretanto, um Estado que cobra de maneira injusta e distribui recursos de forma desigual pode aumentar seu tamanho sem resolver o problema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma política realmente redistributiva exige mudanças na qualidade da intervenção pública:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>reduzir o peso dos tributos sobre o consumo essencial;</li>



<li>aumentar a progressividade sobre renda e patrimônio;</li>



<li>revisar benefícios fiscais sem resultados comprovados;</li>



<li>eliminar supersalários e privilégios incompatíveis com a realidade nacional;</li>



<li>proteger aposentadorias básicas e corrigir benefícios regressivos;</li>



<li>melhorar a qualidade da educação, da saúde e da infraestrutura nas regiões pobres;</li>



<li>simplificar normas para pequenos negócios e novos empreendedores;</li>



<li>divulgar quem recebe benefícios públicos e quais resultados entrega à sociedade.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Não se trata de enfraquecer serviços essenciais, mas de impedir que o poder estatal seja capturado por grupos capazes de transformar influência política em vantagem econômica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Quando a desigualdade nasce da lei</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Parte da desigualdade surge das diferenças de produtividade, formação e oportunidades existentes na sociedade. Outra parte, porém, é criada ou protegida por decisões legais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma isenção, uma reserva de mercado, uma aposentadoria especial, uma burocracia que impede concorrentes ou uma escola pública abandonada não são fenômenos naturais. São resultados de escolhas políticas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Coeficiente de Gini mostra o resultado final da distribuição de renda, mas não indica sozinho como ela foi produzida. Para compreender a desigualdade brasileira, é necessário observar quem paga os impostos, quem recebe os benefícios e quem consegue influenciar as regras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Estado pode ser o principal instrumento de correção das injustiças sociais. Mas, quando atua de forma regressiva, transforma desigualdade econômica em desigualdade institucional: quem possui maior renda e organização obtém proteção, enquanto o cidadão comum financia o sistema sem receber serviços proporcionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O verdadeiro enfrentamento da concentração de renda não depende apenas de aumentar ou reduzir o Estado. Depende de torná-lo menos capturável, mais transparente e igualmente submetido ao interesse público. No Brasil, combater a desigualdade significa também impedir que ela continue sendo produzida, financiada e legitimada pelo próprio poder estatal.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Reforma tributária chega às empresas: o que muda no preço, na nota fiscal e no Simples Nacional?</title>
		<link>https://www.portalbr.com.br/reforma-tributaria-chega-as-empresas-o-que-muda-no-preco-na-nota-fiscal-e-no-simples-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Portal BR]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jul 2026 01:29:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.portalbr.com.br/?p=1462</guid>

					<description><![CDATA[Ano de 2026 funciona como período de testes da CBS e do IBS, mas empresas já precisam atualizar sistemas, revisar cadastros e preparar contratos. Para pequenos negócios, a principal decisão ocorrerá em setembro, quando será possível escolher como os novos tributos serão recolhidos em 2027 A reforma tributária do consumo deixou de ser apenas uma [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Ano de 2026 funciona como período de testes da CBS e do IBS, mas empresas já precisam atualizar sistemas, revisar cadastros e preparar contratos. Para pequenos negócios, a principal decisão ocorrerá em setembro, quando será possível escolher como os novos tributos serão recolhidos em 2027</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A reforma tributária do consumo deixou de ser apenas uma discussão entre economistas, parlamentares e especialistas. Em 2026, ela começou a aparecer na rotina de comerciantes, indústrias, prestadores de serviços, escritórios de contabilidade, desenvolvedores de sistemas e administrações municipais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os novos tributos são a <strong>Contribuição sobre Bens e Serviços — CBS</strong>, de competência federal, e o <strong>Imposto sobre Bens e Serviços — IBS</strong>, administrado de forma compartilhada por estados e municípios. Eles integram um modelo de Imposto sobre Valor Agregado, o IVA, destinado a substituir gradualmente diferentes tributos incidentes sobre o consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança será concluída apenas em 2033. Mesmo assim, as empresas não podem esperar até lá para começar a adaptação. Sistemas de emissão fiscal, cadastros de produtos, contratos, tabelas de preços, integração com contadores e procedimentos internos já precisam ser revistos.</p>



<h2 class="wp-block-heading">2026 é um ano de teste, não a implantação integral</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Durante 2026, as operações do regime regular utilizam uma alíquota experimental conjunta de <strong>1%</strong>, dividida em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>0,9% de CBS;</li>



<li>0,1% de IBS.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo é testar documentos fiscais, cadastros, sistemas de cálculo, comunicação entre os fiscos e processamento das informações. O modelo definitivo ainda não está sendo cobrado integralmente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Receita Federal esclarece que o contribuinte que emitir corretamente os documentos fiscais e cumprir as obrigações acessórias previstas estará <strong>dispensado do recolhimento da CBS e do IBS durante o ano de testes</strong>. Isso significa que a presença dos valores experimentais na nota não representa, automaticamente, um novo pagamento adicional de 1%.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa distinção é importante porque alguns consumidores e empresários podem interpretar o destaque dos novos tributos como um aumento imediato da carga tributária. Em 2026, o principal efeito está na adaptação operacional e tecnológica.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que muda na nota fiscal</h2>



<p class="wp-block-paragraph">NF-e, NFC-e, NFS-e, conhecimentos de transporte, notas de energia, documentos de comunicação e outros documentos fiscais eletrônicos passaram a receber grupos específicos de informações sobre a CBS e o IBS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os novos dados estão códigos destinados a identificar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>a situação tributária da operação;</li>



<li>sua classificação no IBS e na CBS;</li>



<li>bases de cálculo;</li>



<li>alíquotas;</li>



<li>reduções;</li>



<li>créditos;</li>



<li>imunidades e isenções;</li>



<li>tratamentos diferenciados.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Nos leiautes da NF-e e da NFC-e, aparecem campos como o <strong>Código de Situação Tributária — CST</strong> e o <strong>Código de Classificação Tributária — cClassTrib</strong>. A NFS-e também recebeu adaptações técnicas para registrar as informações dos novos tributos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para uma empresa, isso significa que não basta atualizar o nome do imposto no sistema. Cada mercadoria ou serviço precisa estar corretamente classificado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um cadastro incompleto pode gerar cálculo errado, rejeição do documento fiscal, aproveitamento indevido de crédito ou enquadramento incorreto em uma redução de alíquota.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Prazo importante para as empresas do regime regular</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A partir de <strong>3 de agosto de 2026</strong>, os documentos fiscais eletrônicos das empresas enquadradas no regime regular deverão preencher os campos relativos à CBS e ao IBS. O marco foi estabelecido após um período de adaptação dos emissores e desenvolvedores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na prática, empresas do Lucro Presumido e do Lucro Real precisam confirmar se seus sistemas estão preparados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem utiliza um ERP próprio deve verificar a versão do leiaute, os arquivos XML, as regras de validação e a comunicação com as plataformas fiscais. Quem utiliza sistema contratado deve pedir uma confirmação formal ao fornecedor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A atualização também precisa ser testada. Um sistema pode mostrar os novos campos na tela e, mesmo assim, gerar um XML incompatível ou calcular incorretamente determinada operação.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Empresas do Simples têm calendário diferente</h2>



<p class="wp-block-paragraph">As empresas do Simples Nacional não estão submetidas à mesma obrigatoriedade de preenchimento em 3 de agosto de 2026. Para esse grupo, a exigência relacionada à nova sistemática começa em <strong>1º de janeiro de 2027</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Simples Nacional não será extinto. Microempresas e empresas de pequeno porte poderão continuar utilizando a guia unificada, mas terão uma nova escolha a fazer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre <strong>1º e 30 de setembro de 2026</strong>, o empresário poderá optar por uma das seguintes alternativas para o primeiro semestre de 2027:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Manter CBS e IBS dentro do Simples Nacional</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse caso, os novos tributos integrarão a guia única, juntamente com os demais componentes do regime simplificado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Recolher CBS e IBS pelo regime regular</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A empresa continuará enquadrada no Simples para os outros tributos, mas calculará e recolherá CBS e IBS separadamente, utilizando a sistemática normal de débitos e créditos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Caso a empresa não faça nenhuma escolha em setembro, a CBS e o IBS permanecerão dentro da guia do Simples durante o primeiro semestre de 2027. Uma nova oportunidade de opção será aberta em março de 2027 para produzir efeitos a partir de julho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A regra de opção do MEI permanece diferente. O enquadramento no Simei continuará seguindo seu calendário próprio.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Qual alternativa será melhor para o Simples?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Não existe uma resposta única para todas as empresas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um pequeno comércio voltado ao consumidor final pode considerar mais vantajoso manter a simplicidade da guia unificada. Já uma pequena indústria ou prestadora que vende principalmente para empresas do regime regular pode precisar analisar o impacto dos créditos tributários na relação comercial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a CBS e o IBS permanecem dentro do Simples, a própria empresa optante não se apropria dos créditos relativos às suas compras. Entretanto, o cliente sujeito ao regime regular poderá aproveitar crédito limitado ao valor dos tributos efetivamente cobrado por meio do Simples.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao optar pelo recolhimento regular da CBS e do IBS, a empresa passa a participar integralmente da sistemática de débitos e créditos desses tributos. Isso pode tornar suas vendas mais atraentes para clientes empresariais, mas também aumenta a complexidade de apuração, controle e fluxo de caixa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escolha deve considerar:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>quem são os principais clientes;</li>



<li>quanto a empresa compra de fornecedores;</li>



<li>quais aquisições geram crédito;</li>



<li>margem de lucro;</li>



<li>custo contábil;</li>



<li>sistema de gestão disponível;</li>



<li>impacto comercial de transferir mais ou menos crédito ao comprador.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão não deve ser tomada apenas pela comparação das alíquotas nominais.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O preço dos produtos vai subir?</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O destaque experimental de 1% em 2026 não deveria ser tratado como justificativa automática para elevar preços, porque os contribuintes que cumprirem corretamente as obrigações estarão dispensados do recolhimento nesse período.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O impacto efetivo sobre os preços aparecerá de forma gradual e poderá variar muito entre setores.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reforma adota o princípio da não cumulatividade. Em regra, o imposto pago ou registrado nas etapas anteriores gera crédito para ser utilizado nas operações seguintes, evitando a tributação em cascata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma indústria que compra máquinas, matérias-primas, energia, serviços e outros insumos pode aproveitar créditos mais amplos. Já determinadas atividades intensivas em mão de obra e com poucas aquisições geradoras de crédito podem ter uma estrutura diferente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, é razoável inferir que o efeito sobre o preço dependerá da cadeia de cada atividade, dos benefícios aplicáveis, da capacidade de crédito, do perfil dos clientes e da futura alíquota de referência. Não é possível afirmar que todos os produtos subirão ou que todos os serviços ficarão mais baratos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também haverá decisões comerciais. Uma empresa pode repassar integralmente uma elevação de custo, reduzir sua margem, renegociar fornecedores ou melhorar a eficiência operacional.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Contratos precisam ser revistos</h2>



<p class="wp-block-paragraph">Empresas que possuem contratos de longa duração devem verificar como está redigida a cláusula tributária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contratos de locação comercial, licenciamento de software, manutenção, construção, transporte, fornecimento contínuo e prestação recorrente de serviços podem atravessar diferentes etapas da transição.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É importante definir:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>se o preço é líquido ou inclui os tributos;</li>



<li>quem suporta alterações legais;</li>



<li>como será feito eventual reequilíbrio;</li>



<li>qual é o local de destino da operação;</li>



<li>como serão tratados créditos e retenções;</li>



<li>em que momento o preço poderá ser revisado.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Modificar o contrato somente depois de surgir uma divergência pode gerar conflito entre fornecedor e cliente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Contadores ganham uma função ainda mais estratégica</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O contador deixa de atuar apenas na apuração realizada após o fechamento do mês. Ele precisa participar da preparação dos cadastros, da classificação das operações, das decisões do Simples e da análise do modelo de negócio.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma classificação incorreta na origem pode se repetir em milhares de notas antes de ser identificada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Escritórios contábeis também terão de organizar novos fluxos de informação com os clientes. A empresa que entrega apenas notas e extratos no fim do mês terá dificuldade para trabalhar em um sistema que depende de documentos fiscais estruturados e créditos corretamente identificados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Receita Federal e o Conselho Federal de Contabilidade passaram a promover cursos específicos sobre as normas gerais, cadastros e operações do novo modelo, sinalizando a necessidade de qualificação contínua.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Sistemas de gestão tornam-se parte da conformidade fiscal</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O custo inicial da reforma não se limita ao tributo. Empresas podem precisar investir em:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>atualização ou troca do sistema emissor;</li>



<li>revisão dos cadastros;</li>



<li>integração com lojas virtuais;</li>



<li>treinamento de funcionários;</li>



<li>consultoria contábil;</li>



<li>testes e homologação;</li>



<li>atualização de contratos e tabelas.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">O valor dependerá do tamanho e da complexidade de cada operação. Uma pequena loja com poucos produtos enfrenta uma realidade diferente de uma indústria com milhares de itens, filiais e integrações automatizadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fornecedor do sistema deve informar claramente quais versões já contemplam a reforma, quais módulos precisam ser contratados e como serão feitas as atualizações futuras.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Municípios também precisam se adaptar</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A mudança atinge diretamente as prefeituras porque o ISS será substituído gradualmente pelo IBS. Os municípios precisam ajustar a emissão da NFS-e, integrar seus sistemas ao ambiente nacional, atualizar cadastros e orientar prestadores de serviços.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A legislação determina a adoção do padrão nacional da NFS-e, seja pela utilização direta do emissor nacional, seja pela integração do sistema municipal ao ambiente de dados nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Isso significa que uma empresa prestadora deve acompanhar os comunicados de sua Prefeitura. O procedimento pode variar durante a transição: alguns municípios mantêm seu emissor adaptado, enquanto outros transferem a emissão para o portal nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de orientação local pode gerar insegurança, especialmente entre profissionais autônomos, pequenas empresas e prestadores que emitem poucas notas por mês.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O cronograma até 2033</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A reforma será implantada em etapas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>2026</strong>, ocorre o teste da CBS e do IBS.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>2027</strong>, começa a cobrança da CBS em sua estrutura principal e ocorre a extinção de PIS e Cofins.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre <strong>2029 e 2032</strong>, ICMS e ISS serão reduzidos gradualmente, enquanto o IBS ganhará participação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>2033</strong>, o novo modelo deverá estar integralmente implantado, com a substituição dos tributos anteriores sobre o consumo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição longa busca evitar uma mudança abrupta, mas cria um período em que empresas terão de conviver com regras antigas e novas simultaneamente.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O que a empresa deve fazer agora</h2>



<p class="wp-block-paragraph">O primeiro passo é confirmar com o contador e com o fornecedor do sistema se os documentos fiscais estão adaptados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Depois, a empresa deve revisar seu cadastro de produtos e serviços, verificar classificações tributárias e realizar emissões de teste.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem está no Simples precisa preparar uma simulação antes de setembro, comparando a manutenção dos novos tributos no DAS com a opção pelo regime regular.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é importante revisar contratos e evitar aumentos de preços baseados apenas na alíquota experimental de 2026.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Reforma começa pelos dados</h2>



<p class="wp-block-paragraph">A principal mudança de 2026 não está no valor pago, mas na qualidade das informações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O novo sistema depende de cadastros corretos, notas estruturadas, integração tecnológica e identificação precisa das operações. Empresas que utilizam controles improvisados ou sistemas desatualizados terão mais dificuldade para aproveitar créditos, formar preços e cumprir as obrigações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para os pequenos negócios, o desafio será conciliar a promessa de simplificação futura com os custos imediatos da adaptação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A reforma ainda levará anos para ser concluída. Mas, para quem emite nota fiscal, vende produtos, presta serviços ou desenvolve sistemas empresariais, ela já começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gastos públicos do governo brasileiro atingem patamar recorde e aumentam pressão sobre as contas públicas</title>
		<link>https://www.portalbr.com.br/gastos-publicos-do-governo-brasileiro-atingem-patamar-recorde-e-aumentam-pressao-sobre-as-contas-publicas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Portal BR]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 04 Jul 2026 21:13:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
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					<description><![CDATA[Com Orçamento da União de R$ 6,54 trilhões em 2026, alta das despesas, crescimento da dívida e peso dos juros reacendem debate sobre o tamanho do Estado e a sustentabilidade fiscal do país Brasília – O Brasil voltou a conviver com um dos temas mais sensíveis da economia nacional: o avanço dos gastos públicos. Em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><strong>Com Orçamento da União de R$ 6,54 trilhões em 2026, alta das despesas, crescimento da dívida e peso dos juros reacendem debate sobre o tamanho do Estado e a sustentabilidade fiscal do país</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Brasília</strong> – O Brasil voltou a conviver com um dos temas mais sensíveis da economia nacional: o avanço dos gastos públicos. Em 2026, o Orçamento da União foi sancionado com valor total estimado em <strong>R$ 6,54 trilhões</strong>, sendo <strong>R$ 1,8 trilhão destinado ao refinanciamento da dívida pública</strong>. O número coloca as despesas federais em um patamar recorde em termos nominais e reforça o debate sobre a capacidade do governo de equilibrar arrecadação, programas sociais, custeio da máquina pública, emendas parlamentares, investimentos e pagamento de juros.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Embora parte expressiva do orçamento esteja vinculada à rolagem da dívida, o volume total chama atenção porque ocorre em um cenário de déficit, juros elevados e crescimento das despesas obrigatórias. Segundo dados do Tesouro Nacional, em maio de 2026 o Governo Central registrou <strong>déficit primário de R$ 53,3 bilhões</strong>, resultado pior que o observado no mesmo mês de 2025. No período, a despesa total cresceu <strong>9,4% em termos reais</strong>, enquanto a receita líquida avançou <strong>5,5%</strong>.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A diferença entre o ritmo de crescimento das receitas e das despesas é o ponto central da preocupação fiscal. Quando o governo gasta mais do que arrecada, precisa emitir dívida ou usar mecanismos de financiamento para cobrir a diferença. Esse processo aumenta a pressão sobre os juros, reduz a confiança de investidores e pode afetar a inflação, o câmbio e o custo do crédito para empresas e famílias.</p>
<p class="wp-block-paragraph">No acumulado de 12 meses até maio, o déficit do Governo Central chegou a <strong>R$ 142,3 bilhões</strong>, equivalente a <strong>1,06% do PIB</strong>, segundo dados divulgados pelo Tesouro e repercutidos pela Reuters. No mesmo período, as despesas totais do governo central alcançaram <strong>19,6% do PIB</strong>, com expectativa oficial de recuo para perto de 19% até o fim do ano.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O problema não se limita ao gasto corrente. A dívida pública também voltou a subir. Em maio de 2026, a <strong>Dívida Bruta do Governo Geral</strong> chegou a <strong>R$ 10,6 trilhões</strong>, o equivalente a <strong>81,1% do PIB</strong>, segundo dados do Banco Central divulgados pela Agência Brasil. O avanço mensal foi influenciado principalmente pelo custo dos juros e pela necessidade de financiamento do setor público.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O peso dos juros é um dos principais agravantes. Com a taxa básica ainda elevada, o governo paga mais para financiar sua dívida. Esse gasto não aparece diretamente em serviços públicos ao cidadão, mas consome uma parcela relevante do orçamento. Na prática, quanto maior o endividamento e maior a taxa de juros, menor tende a ser o espaço para investimentos em infraestrutura, saúde, educação, segurança e inovação.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Em 2025, as contas públicas já haviam fechado no vermelho. O setor público consolidado, que inclui União, estados, municípios e estatais, registrou <strong>déficit primário de R$ 55,021 bilhões</strong>, equivalente a <strong>0,43% do PIB</strong>, conforme dados do Banco Central divulgados pela Agência Brasil.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O governo argumenta que parte do aumento das despesas está relacionada a políticas sociais, Previdência, recomposição de serviços públicos e obrigações legais. Já economistas e setores do mercado alertam que o país precisa conter o avanço das despesas obrigatórias para evitar deterioração fiscal mais forte nos próximos anos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Outro ponto de atenção é a baixa margem para investimento. Grande parte do Orçamento é comprometida com Previdência, folha de pagamento, benefícios sociais, dívida pública, transferências obrigatórias e emendas parlamentares. Isso reduz a capacidade do governo de direcionar recursos para obras, modernização do Estado e projetos que possam elevar a produtividade do país.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A discussão sobre gastos públicos também reacende o debate sobre qualidade do gasto. O problema brasileiro não está apenas no volume gasto, mas também na eficiência da aplicação dos recursos. O cidadão paga uma carga tributária elevada, mas frequentemente encontra serviços públicos abaixo do esperado em áreas essenciais. Essa distância entre arrecadação e entrega alimenta a percepção de que o Estado custa caro e devolve pouco.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Especialistas defendem que o ajuste fiscal não deve se limitar ao aumento de impostos. Para eles, o país precisa revisar despesas, combater desperdícios, melhorar a gestão pública, reduzir privilégios, avaliar programas com baixa efetividade e ampliar a transparência sobre onde o dinheiro público é aplicado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O desafio do Brasil, portanto, é duplo: manter políticas sociais e serviços públicos essenciais, mas sem permitir que o crescimento permanente das despesas comprometa a estabilidade econômica. Sem controle fiscal, o país corre o risco de conviver com juros mais altos por mais tempo, crescimento menor, inflação pressionada e menor capacidade de investimento.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O recorde de gastos públicos simboliza uma tendência que preocupa: o Estado brasileiro continua ampliando suas obrigações em ritmo superior à capacidade sustentável de financiamento. Em um país que ainda precisa melhorar infraestrutura, educação, segurança e saúde, gastar sem critérios inviabiliza uma economia saudável.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
<hr>
<p style="font-size:12px;color:#555"><a href="https://www.portalbr.com.br/gastos-publicos-do-governo-brasileiro-atingem-patamar-recorde-e-aumentam-pressao-sobre-as-contas-publicas/">https://www.portalbr.com.br/gastos-publicos-do-governo-brasileiro-atingem-patamar-recorde-e-aumentam-pressao-sobre-as-contas-publicas/</a><br />
<a href="https://arweave.net.br"> Web3/Blockchain Arweave</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Crise no bolso: inadimplência recorde expõe fragilidade econômica das famílias brasileiras</title>
		<link>https://www.portalbr.com.br/crise-no-bolso-inadimplencia-recorde-expoe-fragilidade-economica-das-familias-brasileiras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Portal BR]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Jul 2026 23:17:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://www.portalbr.com.br/?p=1443</guid>

					<description><![CDATA[Juros altos, crédito caro e renda comprometida empurram milhões de brasileiros para o atraso nas contas Portal BR – A vida financeira das famílias segue pressionada, a inadimplência atingiu patamares históricos, revelando que boa parte da população já não consegue acompanhar o custo do crédito, o peso das parcelas e o avanço das despesas básicas. [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="wp-block-paragraph"><strong>Juros altos, crédito caro e renda comprometida empurram milhões de brasileiros para o atraso nas contas</strong></p>
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Portal BR –</strong> A vida financeira das famílias segue pressionada, a inadimplência atingiu patamares históricos, revelando que boa parte da população já não consegue acompanhar o custo do crédito, o peso das parcelas e o avanço das despesas básicas.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Segundo reportagem da <strong>Revista Oeste</strong>, a taxa média de inadimplência das operações de crédito no Brasil chegou a <strong>4,7% em maio de 2026</strong>, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central, em 2011. O indicador considera operações com atraso superior a 90 dias no Sistema Financeiro Nacional e mostra o aumento da dificuldade de pagamento de empréstimos e financiamentos.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O dado se soma a outro número preocupante: o país chegou a <strong>81,7 milhões de consumidores inadimplentes</strong>, segundo levantamento da Serasa citado pela Revista Oeste e também divulgado pela própria Serasa em balanço dos dez anos do Mapa da Inadimplência. Isso representa quase metade da população adulta brasileira com algum tipo de restrição financeira.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O endividamento das famílias também bateu recorde. Em abril de 2026, <strong>80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida</strong>, conforme a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC, em levantamento repercutido pelo Senado Federal. Foi o quarto mês seguido de alta na série.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O cenário mostra que o problema deixou de ser pontual. Cartão de crédito, financiamentos, empréstimos pessoais, contas de consumo e crediário formam uma cadeia de compromissos que pesa sobre o orçamento doméstico. Quando a renda não acompanha o custo das dívidas, o atraso vira uma consequência quase inevitável.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A situação é agravada pelos juros elevados. Reportagem da Reuters, com base em dados do Banco Central, mostrou que a inadimplência no crédito livre chegou a <strong>6,2% em maio de 2026</strong>, também em nível recorde para essa série. Os maiores problemas apareceram em linhas como financiamento de veículos, crédito pessoal sem garantia e consignado para trabalhadores do setor privado.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O custo do crédito permanece alto, os preços seguem pressionando o orçamento e muitas famílias já carregam dívidas antigas. Na prática, parte do dinheiro que entra no fim do mês já está comprometida antes mesmo de chegar à conta.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A Revista Oeste também destacou a avaliação de especialistas de que programas emergenciais de renegociação ajudam a aliviar a situação imediata, mas não resolvem a origem do problema. A inadimplência elevada revela falhas estruturais: baixa educação financeira, dependência do crédito caro, consumo financiado e dificuldade de formar poupança.</p>
<p class="wp-block-paragraph">Esse quadro afeta não apenas as famílias, mas também o comércio e os serviços. Com o nome negativado, o consumidor perde acesso a crédito, reduz compras, adia investimentos domésticos e corta gastos. Empresas vendem menos, bancos ficam mais cautelosos e o ciclo de crédito se torna mais restritivo.</p>
<p class="wp-block-paragraph">A crise da inadimplência também tem impacto social. Para milhões de brasileiros, estar endividado não significa ter consumido além da conta, mas tentar cobrir despesas básicas com crédito: supermercado, remédios, aluguel, energia, transporte e escola. Quando o orçamento familiar não fecha, o cartão e o empréstimo viram saída de emergência, e depois se tornam parte do problema.</p>
<p class="wp-block-paragraph">O desafio do país é enfrentar a inadimplência sem tratar o tema apenas como estatística bancária. É preciso combinar juros mais sustentáveis, aumento real da renda, educação financeira, renegociação responsável e controle do custo de vida. Sem isso, o Brasil continuará convivendo com uma economia que cresce nos números, mas que ainda deixa milhões de famílias no vermelho.</p>
<p class="wp-block-paragraph">
<hr>
<p style="font-size:12px;color:#555"><a href="https://www.portalbr.com.br/crise-no-bolso-inadimplencia-recorde-expoe-fragilidade-economica-das-familias-brasileiras/">https://www.portalbr.com.br/crise-no-bolso-inadimplencia-recorde-expoe-fragilidade-economica-das-familias-brasileiras/</a><br />
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		<title>Brasil cobra muito, mas devolve pouco: carga tributária elevada contrasta com serviços públicos precários</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2026 02:54:39 +0000</pubDate>
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