As principais queixas dos povos indígenas em relação ao governo atual giram em torno de uma ideia central: houve avanços institucionais, mas eles ainda são considerados insuficientes diante da urgência dos territórios e da violência nas comunidades. Na carta do Acampamento Terra Livre 2026 ao Poder Executivo, a entidade afirma que esses avanços “ainda não respondem à urgência histórica” dos povos indígenas.
1. Demarcações lentas
A maior cobrança é pela demarcação de terras indígenas. No Acampamento Terra Livre de 2026, lideranças cobraram celeridade do presidente Lula e de outras autoridades. A APIB informou que havia apresentado ao governo documentos sobre 107 terras indígenas aptas a avançar na regularização, mas avaliou que o avanço ainda era pequeno diante do passivo histórico.
A InfoAmazonia também apontou que, na Amazônia Legal, 57 terras indígenas ainda aguardavam demarcação, e quase metade dos processos dependia de declaração do Ministério da Justiça.
2. Crítica ao marco temporal
Outra queixa forte é contra a Lei do Marco Temporal, vista por organizações indígenas como ameaça direta às demarcações. O Instituto Socioambiental explicou que o julgamento no STF em 2026 poderia facilitar ou dificultar ainda mais o reconhecimento das terras indígenas nos aspectos jurídico, administrativo, financeiro e político.
Na prática, os indígenas reclamam que a insegurança jurídica causada pelo marco temporal trava processos, incentiva disputas e aumenta a pressão sobre territórios ainda não regularizados.
3. Proteção insuficiente dos territórios
Além de demarcar, as lideranças cobram proteção real das terras indígenas. A carta da APIB ao Executivo fala em aumento de invasões, violência e criminalização de povos, lideranças e organizações indígenas, e diz que a proteção concreta dos territórios ainda precisa ganhar consistência.
Isso envolve retirada de invasores, combate ao garimpo ilegal, fiscalização contra madeira ilegal, enfrentamento da grilagem e garantia do uso exclusivo das terras pelos povos indígenas.
4. Rejeição à exploração predatória
No ATL 2026, o movimento indígena também condenou a exploração predatória das terras indígenas, especialmente projetos ligados à mineração, garimpo, infraestrutura sem consulta adequada e avanço econômico sobre áreas tradicionais. O Instituto Socioambiental registrou que o encerramento do ATL teve esse tema como uma das principais pautas.
5. Saúde indígena, especialmente Yanomami
A crise sanitária Yanomami continua sendo uma das principais cobranças. Em março de 2026, lideranças como Davi Kopenawa e Ailton Krenak, junto com médicos, juristas e indigenistas, enviaram carta aberta ao presidente Lula afirmando que a situação de saúde Yanomami continuava muito grave. A carta citou malária, baixa vacinação, coqueluche, tuberculose e falhas de gestão no atendimento.
6. Violência contra lideranças e mulheres indígenas
Durante o ATL 2026, lideranças também denunciaram violência contra comunidades e contra mulheres indígenas. A Agência Brasil registrou fala de Luana Kayngang, da Arpin-Sul, afirmando que mulheres indígenas estavam mais vulneráveis em ataques externos às aldeias.
7. Cobrança por orçamento, estrutura e execução
Outra crítica recorrente é que criar ministério, nomear lideranças e anunciar políticas não basta. As organizações querem orçamento, equipe, estrutura, presença nos territórios e execução prática. A carta da APIB afirma que houve reconstrução institucional, mas que a proteção concreta da vida e dos territórios ainda precisa de continuidade e consistência.
https://www.portalbr.com.br/indigenas-cobram-que-o-discurso-do-governo-vire-entrega-concreta-nos-territorios/
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