Queda generalizada em ranking expõe realidade das universidades brasileiras

Queda generalizada em ranking expõe realidade das universidades brasileiras

A edição de 2026 do ranking Global 2000, do Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR), mostrou uma perda generalizada de posições das universidades brasileiras. Das 52 instituições nacionais incluídas na lista, 45 recuaram em relação à classificação de 2025 — o equivalente a 87% —, enquanto cinco avançaram e duas mantiveram a colocação.

O resultado mostra que a qualidade do ensino caiu, o CWUR mede um conjunto amplo de indicadores de formação de ex-alunos, empregabilidade, reconhecimento do corpo docente e, sobretudo, pesquisa científica. Assim, a queda de posições indica principalmente perda de competitividade relativa diante de universidades estrangeiras, em especial as que ampliaram investimentos em ciência e inovação.

O retrato do ranking

A Universidade de São Paulo (USP) segue como a instituição brasileira mais bem colocada, na 119ª posição mundial — dentro do grupo das 0,6% mais bem avaliadas entre as 21.291 instituições analisadas pelo CWUR. Mesmo assim, caiu uma posição em relação a 2025, quando estava em 118º lugar.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aparece em seguida, na 346ª colocação, com recuo de 15 posições. A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fecha o pódio brasileiro em 379º lugar, dez postos abaixo da edição anterior.

Posição no BrasilInstituiçãoRanking em 2026Variação ante 2025
1Universidade de São Paulo (USP)119º-1 posição
2Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)346º-15 posições
3Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)379º-10 posições
4Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)476ºEstável
5Universidade Estadual Paulista (Unesp)479º-25 posições
6Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)508º-11 posições
7Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)621º-4 posições
8Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)682º-14 posições
9Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)732º-5 posições
10Universidade Federal do Paraná (UFPR)799º-16 posições

Fonte: CWUR, Global 2000 de 2026.

Pesquisa é o principal ponto de pressão

O desempenho em pesquisa foi o fator mais crítico do levantamento. Das 52 instituições brasileiras listadas, 44 caíram especificamente nesse indicador, que responde por 40% da pontuação final do CWUR.

O ranking avalia a produção científica, a presença de trabalhos em periódicos de alto impacto, a influência das publicações e o volume de citações. Também considera a formação de ex-alunos, seu sucesso profissional e distinções acadêmicas recebidas por docentes.

Indicador do CWURPeso na nota finalO que é avaliado
Educação25%Sucesso acadêmico de ex-alunos
Empregabilidade25%Desempenho profissional de ex-alunos em grandes empresas
Corpo docente10%Distinções acadêmicas de alto nível
Pesquisa40%Produção, publicações de destaque, influência e citações

O CWUR afirma que sua metodologia não se baseia em pesquisas de reputação nem em dados enviados pelas próprias universidades. Na edição de 2026, a organização analisou 81 milhões de dados referentes a 21.291 instituições; as 2 mil primeiras compõem a lista Global 2000.

Investimento e concorrência internacional

Para Nadim Mahassen, presidente do CWUR, o recuo brasileiro reflete “anos de financiamento inadequado e a desvalorização da ciência e da educação como bens públicos”. Na avaliação da entidade, a perda de capacidade relativa ameaça a produção científica, a inovação e o desenvolvimento de longo prazo do país.

Os países que expandem financiamento, infraestrutura e internacionalização científica avançam mais rapidamente, o fato de 45 das 52 universidades brasileiras terem perdido posições revela um problema estrutural de competitividade.

O debate não se resume a uma colocação em ranking internacional. Universidades públicas e centros de pesquisa são responsáveis por parcela relevante da ciência brasileira, pela formação de profissionais qualificados e pelo desenvolvimento de soluções em áreas como saúde, agricultura, energia, tecnologia e meio ambiente.

Reverter a perda de competitividade exige previsibilidade no financiamento de pesquisa, valorização de professores e pesquisadores, infraestrutura laboratorial, bolsas para estudantes, colaboração internacional e políticas de longo prazo.