Entrada de visitantes estrangeiros, movimentação dos aeroportos e grandes celebrações de São João fortalecem hotéis, restaurantes e comércio. Indicadores do IBGE, porém, mostram que o setor ainda enfrenta oscilações.
Por Portal BR — 6 de junho de 2026
O turismo brasileiro entra no mês de junho como uma das atividades com maior potencial de movimentação econômica no país. A chegada de visitantes estrangeiros, o aumento da circulação nos aeroportos e o início das festas juninas devem impulsionar hotéis, restaurantes, empresas de transporte, agências de viagens, comércio e serviços culturais.
Entre janeiro e abril de 2026, turistas internacionais deixaram aproximadamente US$ 4 bilhões no Brasil, crescimento de 8,1% em relação aos US$ 3,7 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Apenas em abril, os gastos dos visitantes estrangeiros somaram US$ 837,2 milhões. Os dados sobre a entrada de divisas foram divulgados pelo Banco Central e reunidos pela Embratur.
O resultado mostra que o visitante estrangeiro não movimenta somente os principais hotéis e pontos turísticos. Os recursos também chegam a restaurantes, aplicativos e empresas de transporte, guias, artesãos, produtores culturais e pequenos comerciantes localizados nos destinos visitados.
Brasil recebeu 4,3 milhões de estrangeiros em quatro meses
Nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil contabilizou 4.333.423 chegadas internacionais, alcançando o segundo melhor resultado da série histórica para o período.
Somente no primeiro trimestre foram registradas 3,742 milhões de chegadas. Em março, mais de 1,05 milhão de estrangeiros entrou no país, número 13% superior ao observado no mesmo mês do ano passado. Argentina, Chile, Estados Unidos, Uruguai, Paraguai e Portugal estavam entre os principais países de origem dos visitantes.
Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentraram grande parte dessa movimentação. O resultado favorece destinos de praia, natureza e cultura, mas também beneficia o turismo de negócios, de eventos e de compras.
A receita gerada pelos estrangeiros é especialmente importante porque representa a entrada de recursos de outros países na economia nacional. Quanto maior for o tempo de permanência e a diversidade dos destinos visitados, maior tende a ser a distribuição desse dinheiro entre empresas e trabalhadores locais.
Aeroportos registram maior circulação de passageiros
A expansão do turismo também pode ser observada no movimento dos aeroportos. Nos dois primeiros meses de 2026, foram transportados 22,9 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais, crescimento de 10,1% em comparação com o primeiro bimestre de 2025.
Foi o melhor resultado para os dois primeiros meses de um ano na série histórica de 25 anos acompanhada pela Agência Nacional de Aviação Civil. Desse total, mais de 5,7 milhões de passageiros utilizaram voos entre o Brasil e outros países, alta de 14,9%.
A maior conectividade aérea pode ampliar a competitividade dos destinos brasileiros, principalmente quando novas rotas aproximam cidades do interior dos grandes centros emissores de turistas.
Entretanto, o preço das passagens continua sendo um dos principais fatores considerados pelas famílias antes de uma viagem. Juros elevados, custos operacionais das companhias e variações nos preços dos combustíveis podem limitar a expansão do turismo doméstico, especialmente entre consumidores de menor renda.
Festas juninas transformam cultura em renda
Neste começo de junho, as festas de São João assumem papel central na economia do turismo. Centenas de municípios brasileiros organizam eventos que atraem visitantes, ampliam a ocupação dos meios de hospedagem e criam oportunidades temporárias de trabalho.
A movimentação beneficia desde grandes redes hoteleiras até pousadas familiares, vendedores ambulantes, restaurantes, motoristas, costureiras, músicos, técnicos, montadores de estruturas e produtores de alimentos típicos.
Em Campina Grande, na Paraíba, a expectativa é que a programação junina movimente mais de R$ 800 milhões na economia local. O evento, que segue até 5 de julho, poderá receber público superior a 3,5 milhões de pessoas, segundo estimativa municipal divulgada pelo Ministério do Turismo.
Em Petrolina, Pernambuco, a projeção é de aproximadamente R$ 350 milhões em movimentação econômica e da criação de 20 mil postos de trabalho associados às festividades. Já Caruaru distribui sua programação por diferentes polos nas áreas urbana e rural.
As celebrações também ajudam a preservar manifestações culturais, danças, músicas, culinária e conhecimentos tradicionais. Dessa forma, o patrimônio cultural passa a funcionar como elemento de identidade e como ativo capaz de gerar renda para as comunidades.
Junho amplia procura por viagens
Além dos festejos juninos, o mês reúne eventos culturais, religiosos, esportivos e profissionais em diferentes regiões do país. O Dia dos Namorados, celebrado em 12 de junho, também costuma estimular viagens de curta duração para destinos de praia, serra, ecoturismo e turismo urbano.
Esse tipo de deslocamento favorece cidades próximas dos grandes centros, pois muitos viajantes procuram experiências que possam ser realizadas em um fim de semana. Pequenos municípios com boa gastronomia, patrimônio histórico, natureza e hospedagem estruturada podem aproveitar esse movimento para diversificar suas economias.
O crescimento das viagens regionais também abre espaço para roteiros integrados, nos quais diferentes cidades apresentam seus atrativos como parte de uma mesma experiência. Essa estratégia pode aumentar a permanência do visitante e distribuir os gastos por um território mais amplo.
Indicadores mostram oscilação no mercado interno
Apesar dos resultados positivos do turismo internacional, os dados mais recentes do IBGE mostram que o mercado interno ainda apresenta instabilidade.
Em março, o índice de atividades turísticas caiu 4% em relação a fevereiro, acumulando perda de 5,4% em dois meses. Na comparação com março de 2025, houve retração de 3,9%, influenciada principalmente pelo desempenho do transporte aéreo de passageiros, dos hotéis e da locação de automóveis.
Mesmo com a queda mensal, o segmento permanecia 6,5% acima do nível de fevereiro de 2020, período imediatamente anterior à pandemia. No acumulado do primeiro trimestre de 2026, as atividades turísticas cresceram 0,9% em relação aos três primeiros meses do ano passado.
Os números revelam um cenário de contraste: enquanto a entrada de estrangeiros e de recursos internacionais está forte, parte das atividades direcionadas ao consumidor brasileiro enfrenta oscilações relacionadas à renda, aos custos das viagens e ao calendário sazonal.
Uma nova divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços, com os dados referentes a abril, está prevista para 11 de junho e deverá indicar se o setor iniciou o segundo trimestre em recuperação.
Turismo movimenta uma extensa cadeia produtiva
A importância econômica do turismo vai além das empresas diretamente associadas às viagens. Uma hospedagem ocupada demanda alimentos, lavanderia, manutenção, energia, serviços digitais e profissionais de atendimento.
Um evento cultural também contrata artistas, equipes de segurança, produtores, fotógrafos, empresas de publicidade e fornecedores de equipamentos. O dinheiro gasto pelo turista circula entre diferentes negócios e pode permanecer na própria comunidade.
Por esse motivo, destinos que investem em infraestrutura, acessibilidade, segurança, preservação ambiental, capacitação profissional e divulgação têm maiores condições de transformar visitantes em desenvolvimento econômico permanente.
O desafio brasileiro é ampliar a permanência média dos turistas, estimular a visitação fora das temporadas tradicionais e distribuir melhor o fluxo entre as diferentes regiões do país.
Perspectivas para o restante de 2026
Os resultados do turismo internacional e da aviação indicam que o Brasil permanece atraente para viajantes nacionais e estrangeiros. A diversidade cultural, as paisagens naturais e o calendário de grandes eventos oferecem condições para a continuidade do crescimento.
Por outro lado, a consolidação desse movimento dependerá de preços competitivos, qualidade dos serviços, conectividade aérea e rodoviária, segurança e conservação dos destinos.
Neste sábado, 6 de junho, o começo das festas juninas coloca o turismo novamente no centro da economia de centenas de municípios. Mais do que entretenimento, as celebrações representam emprego, faturamento e oportunidades para pequenos empreendedores que dependem diretamente da circulação de visitantes.
