Vitamina D e sol: equilíbrio é essencial para fortalecer o organismo sem prejudicar a pele

Vitamina D e sol: equilíbrio é essencial para fortalecer o organismo sem prejudicar a pele

A luz solar participa da produção de vitamina D, nutriente fundamental para os ossos e os músculos, mas especialistas alertam que a exposição excessiva aumenta o risco de queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele

A vitamina D ocupa um lugar diferente entre os nutrientes necessários ao organismo. Embora possa ser obtida por meio da alimentação e de suplementos, parte importante dela é produzida pelo próprio corpo quando a pele entra em contato com a radiação ultravioleta B, conhecida como UVB.

Essa relação faz com que o sol seja frequentemente apresentado como um aliado da saúde. No entanto, a exposição solar não deve ser tratada como um remédio sem riscos. A mesma radiação que estimula a produção de vitamina D também pode provocar danos às células da pele. Por isso, o desafio é encontrar um equilíbrio entre manter níveis adequados do nutriente e evitar a exposição exagerada.

A Organização Mundial da Saúde reconhece que pequenas quantidades de radiação ultravioleta participam da produção de vitamina D. Ao mesmo tempo, alerta que a exposição excessiva pode causar efeitos prejudiciais à pele, aos olhos e ao sistema imunológico.

Por que a vitamina D é importante?

A vitamina D ajuda o organismo a absorver cálcio e fósforo, minerais indispensáveis para a formação e manutenção dos ossos e dos dentes. Níveis muito baixos podem favorecer o enfraquecimento ósseo, aumentando o risco de raquitismo em crianças e de osteomalácia em adultos.

Ela também participa do funcionamento dos músculos, dos nervos e do sistema imunológico. Isso não significa, porém, que doses elevadas previnam ou curem qualquer doença. Muitas promessas divulgadas nas redes sociais vão além das evidências científicas disponíveis.

De acordo com o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, a vitamina D obtida pelo sol, pelos alimentos ou por suplementos precisa passar por transformações no fígado e nos rins antes de se tornar biologicamente ativa.

O sol é a única fonte?

Não. A exposição solar é uma das fontes, mas não é a única. A vitamina D também está presente em alguns alimentos, especialmente peixes gordurosos, gema de ovo e produtos enriquecidos. Entretanto, é difícil obter quantidades suficientes apenas por meio de alimentos naturais, principalmente quando a dieta possui pouca variedade.

Idade, tonalidade da pele, uso de roupas que cobrem grande parte do corpo, rotina em ambientes fechados, estação do ano, poluição, localização geográfica e condições de saúde podem interferir na produção do nutriente.

Pessoas idosas, por exemplo, tendem a produzir menos vitamina D pela pele. Pessoas com pele mais escura também podem necessitar de maior exposição para produzir a mesma quantidade, porque a melanina reduz a penetração da radiação UVB. Nesses casos, a avaliação deve ser individualizada.

Outro detalhe importante é que ficar próximo a uma janela iluminada não produz o mesmo efeito. O vidro bloqueia grande parte da radiação UVB necessária à síntese cutânea de vitamina D.

Quanto tempo de sol é necessário?

Não existe um tempo universal que sirva igualmente para todas as pessoas. A quantidade de vitamina D produzida depende do horário, da estação, da região, da tonalidade da pele, da idade, da área corporal exposta e da intensidade da radiação ultravioleta.

Recomendações que fixam um número único de minutos devem, portanto, ser vistas com cautela. Uma pessoa de pele clara em uma região de alta incidência solar pode sofrer queimaduras em pouco tempo, enquanto outra pessoa pode apresentar condições completamente diferentes.

A Organização Mundial da Saúde recomenda proteção solar quando o índice ultravioleta estiver em 3 ou mais. Isso inclui procurar sombra, usar roupas adequadas, chapéu, óculos e protetor solar nas áreas expostas. Crianças e adolescentes merecem atenção especial, porque a exposição excessiva durante os primeiros anos de vida contribui para o risco de câncer de pele no futuro.

O objetivo nunca deve ser ficar vermelho ou se queimar. A queimadura não significa que o organismo produziu mais vitamina D; significa que a pele sofreu uma agressão.

Protetor solar impede a produção de vitamina D?

O uso de protetor pode reduzir a passagem de radiação ultravioleta em condições controladas, mas, na vida cotidiana, as pessoas raramente aplicam o produto de maneira totalmente uniforme. Estudos divulgados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia indicam que medidas de fotoproteção não costumam impedir completamente a síntese de vitamina D.

Abandonar o protetor ou permanecer deliberadamente sob sol forte não é uma estratégia segura para corrigir deficiência. A radiação ultravioleta é reconhecida como cancerígena, e seus danos podem ocorrer mesmo antes de aparecer uma queimadura visível.

Suplementação exige cuidado

Quando há suspeita de deficiência, o profissional de saúde pode solicitar a dosagem de 25-hidroxivitamina D no sangue. A necessidade de realizar o exame depende da idade, dos sintomas, das doenças existentes, do uso de medicamentos e da presença de fatores de risco.

Suplementos não devem ser usados indiscriminadamente. Como a vitamina D é lipossolúvel, quantidades excessivas podem se acumular no organismo e provocar aumento do cálcio no sangue, náuseas, fraqueza, alterações renais e outros problemas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia orienta que a reposição oral seja feita com acompanhamento médico, considerando os níveis individuais e as condições de cada paciente.

Saúde depende de equilíbrio

A principal mensagem é que sol e vitamina D não devem ser tratados como adversários, mas também não podem ser confundidos com uma autorização para exposição ilimitada.

Atividades ao ar livre, alimentação equilibrada, proteção contra a radiação intensa e acompanhamento profissional quando necessário formam uma estratégia mais segura. Para quem apresenta deficiência comprovada, a solução pode envolver ajustes alimentares ou suplementação, sem a necessidade de aumentar perigosamente o tempo sob o sol.

A luz solar exerce um papel importante na produção de vitamina D. Mas o cuidado com a pele deve fazer parte da mesma conversa. Saúde não é resultado do excesso: nasce do equilíbrio, da informação e de decisões adaptadas às necessidades de cada pessoa.