Delegação com 44 profissionais participará do Festival de Xangai, exposição reúne cerca de 50 obras de Portinari na China e projetos culturais recebem autorização para captar R$ 295,5 milhões
Da Redação Portal BR
BRASÍLIA — A cultura brasileira encerra esta sexta-feira, 12 de junho de 2026, com uma agenda marcada pela ampliação da presença artística do país no exterior, pela aprovação de novos projetos incentivados e pela abertura de oportunidades para profissionais do audiovisual.
O Ministério da Cultura anunciou nesta sexta-feira que uma delegação formada por 44 representantes do setor participará do Festival Internacional de Cinema de Xangai, na China. Nove produções brasileiras integram a programação do evento, que será realizado entre os dias 16 e 24 de junho.
A movimentação ocorre durante o Ano Cultural Brasil-China 2026 e se soma à exposição “O Brasil de Portinari”, aberta no Museu Nacional da China, em Pequim, com aproximadamente 50 obras originais de Candido Portinari.
No mercado interno, a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura autorizou 240 projetos a captarem até R$ 295,5 milhões por meio da Lei Rouanet. As propostas abrangem música, festas tradicionais, patrimônio, fotografia, educação e formação artística.
Cinema brasileiro chega ao mercado asiático
A participação brasileira no 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai combina exibição de filmes, atividades institucionais e encontros de negócios.
O Brasil terá uma mostra própria, denominada Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai — Focus Brazil, integrada à programação oficial do festival. A abertura está prevista para o dia 19 de junho, no Fotografiska Xangai.
A iniciativa pretende aproximar produtores, realizadores, distribuidores e instituições dos dois países, criando oportunidades para circulação de obras, coproduções e investimentos.
Além das sessões cinematográficas, a programação terá um estande brasileiro no Mercado Internacional de Filme e TV de Xangai, seminários sobre políticas públicas, reuniões institucionais e visitas técnicas.
O evento é considerado uma das principais portas de entrada do audiovisual internacional no mercado asiático.
Nove produções representam o Brasil
Entre os filmes brasileiros selecionados está “O Deserto de Luiza”, que participará da mostra competitiva principal.
A animação “Amadeo e o Hipotético Mundo Novo” concorrerá na mostra de animação, enquanto “Feito Pipa” integra a Belt and Road Film Week e também a mostra dedicada ao cinema brasileiro.
A programação nacional contará ainda com os títulos:
- “Herança de Narcisa”;
- “Coração das Trevas”;
- “Papaya”;
- “A Fabulosa Máquina do Tempo”;
- “Para Vigo Me Voy!”;
- “A Hora da Estrela”.
A presença de filmes em diferentes categorias amplia a visibilidade da produção nacional e permite que obras brasileiras cheguem a distribuidores, exibidores, programadores de festivais e plataformas internacionais.
Delegação reúne 44 profissionais
A missão brasileira terá 44 representantes, incluindo realizadores, produtores, entidades do setor e integrantes das equipes das produções selecionadas.
O grupo participará de rodadas de negócios e reuniões com instituições chinesas entre os dias 22 e 24 de junho.
A programação também inclui uma apresentação sobre as políticas públicas planejadas para o audiovisual brasileiro durante a próxima década.
A participação no festival não se limita à promoção artística. Ela também possui uma dimensão econômica, pois a circulação internacional pode ampliar vendas, licenciamentos, coproduções, distribuição e contratação de serviços relacionados ao cinema.
Portinari ocupa um dos maiores museus do mundo
Nas artes visuais, a exposição “O Brasil de Portinari” permanece como um dos principais acontecimentos culturais brasileiros no exterior.
A mostra reúne cerca de 50 obras originais de Candido Portinari no Museu Nacional da China, localizado na Praça Tiananmen, em Pequim. A exposição começou no dia 9 de junho e seguirá aberta até 10 de outubro.
É a primeira grande mostra do artista brasileiro realizada na Ásia e uma das maiores dedicadas a Portinari fora do Brasil.
A expectativa apresentada pelos organizadores é que o museu receba aproximadamente quatro milhões de visitantes durante o período da exposição.
O conjunto de obras procura apresentar ao público chinês diferentes dimensões da produção do artista, marcada por temas como trabalho, desigualdade, infância, vida rural, identidade brasileira e condição humana.
Transporte das obras exigiu operação especializada
A transferência das telas para a China exigiu controle de temperatura, umidade, segurança, acondicionamento e acompanhamento técnico.
Obras de arte precisam permanecer em condições ambientais controladas durante o transporte e a exposição para impedir danos provocados por variações climáticas, impactos ou iluminação inadequada.
A mostra foi viabilizada pelo Projeto Portinari, pelo Ministério da Cultura, pelo Instituto Brasileiro de Museus e por instituições chinesas, com patrocínio da Petrobras e recursos incentivados pela Lei Rouanet.
O Projeto Portinari desenvolve há mais de quatro décadas um trabalho de localização, catalogação e preservação da produção do artista. Mais de cinco mil obras já foram identificadas durante esse processo.
Brasil prepara novo espaço cultural em Pequim
A agenda brasileira na China também incluiu visitas a museus, centros de artes visuais e espaços ligados à economia criativa em Xangai e Pequim.
Representantes do Ministério da Cultura passaram pelo China Art Museum Shanghai, pelo West Bund Museum, pelo Centro Nacional de Artes Cênicas da China e pelo 798 Art District.
Instalado em uma antiga área industrial, o 798 Art District tornou-se um dos principais centros de arte contemporânea de Pequim.
O Ministério da Cultura anunciou que o Brasil deverá ocupar um espaço próprio no distrito em setembro, como parte das atividades do Ano Cultural Brasil-China 2026.
A proposta amplia a possibilidade de exposições, encontros profissionais e atividades permanentes destinadas à apresentação da cultura brasileira.
Lei Rouanet autoriza R$ 295,5 milhões
Enquanto artistas e instituições ampliam as atividades internacionais, novos projetos culturais avançaram no Brasil.
A Comissão Nacional de Incentivo à Cultura aprovou 240 propostas e autorizou a captação de até R$ 295,5 milhões por meio da Lei Rouanet.
A autorização não representa uma transferência automática de dinheiro público. Os projetos aprovados precisam buscar patrocinadores ou doadores interessados em destinar parte do imposto devido às iniciativas culturais.
Entre as propostas está a edição de 2026 do São João de Maracanaú, no Ceará, com programação gratuita de música, teatro, circo e quadrilhas.
A comissão também aprovou projetos ligados à educação quilombola, cultura afro-brasileira, povos originários, fotografia, patrimônio e formação musical.
Projetos atendem escolas e comunidades
Um dos projetos aprovados foi o plano bianual do Instituto Vini Jr., que prevê a distribuição de um livro sobre cultura afro-brasileira, povos originários e letramento antirracista em escolas públicas de cinco estados.
Em Minas Gerais, uma iniciativa da Associação Comunitária de Três Barras pretende preservar o modo de vida e o patrimônio agroalimentar de uma comunidade quilombola por meio de oficinas e de um inventário participativo.
No Rio de Janeiro, o plano da Escola de Música da Rocinha prevê a manutenção de uma orquestra de câmara e a oferta gratuita de aulas de instrumentos, canto coral e teoria musical para crianças e adolescentes.
Outro projeto, denominado Olhares Negros, organizará oficinas de fotografia para jovens de periferias, com a proposta de registrar identidades, histórias e territórios.
Edital apoia circulação internacional
Outra iniciativa aberta em junho destina R$ 1 milhão ao apoio de estudantes e profissionais brasileiros que participem de festivais, mostras, seminários e mercados do audiovisual no exterior.
O edital funciona em fluxo contínuo e aceita propostas de pessoas físicas com experiência comprovada no setor.
Os valores máximos variam conforme o destino:
- até R$ 8 mil para eventos na América do Sul;
- até R$ 11 mil para América do Norte e América Central;
- até R$ 16 mil para a Europa;
- até R$ 21 mil para África, Ásia e Oceania.
Profissionais provenientes de estados da Amazônia Legal poderão receber um adicional de R$ 1,5 mil.
O apoio poderá ser utilizado para hospedagem, alimentação, passagens aéreas e deslocamentos terrestres relacionados à participação no evento.
Ações afirmativas estão previstas
O edital determina que pelo menos 40% dos recursos sejam destinados a pessoas negras, indígenas ou com deficiência, desde que existam candidaturas válidas.
A distribuição estabelece reserva mínima de 25% para pessoas negras, 10% para indígenas e 5% para pessoas com deficiência.
Também foi definido que uma única região brasileira não poderá concentrar mais de 40% dos recursos, salvo quando não existirem propostas qualificadas suficientes em outras regiões.
A medida procura ampliar a diversidade entre os profissionais que representam o audiovisual brasileiro no exterior.
Cultura também integra a economia
A agenda desta sexta-feira demonstra que a cultura envolve produção artística, preservação do patrimônio, educação, formação profissional, turismo e relações internacionais.
Filmes e exposições movimentam empresas de produção, montagem, transporte, comunicação, tecnologia, tradução, segurança, hospedagem e eventos.
Projetos comunitários também geram trabalho e renda para professores, músicos, técnicos, fotógrafos, produtores, costureiros, cenógrafos e profissionais administrativos.
A internacionalização pode aumentar o alcance das obras brasileiras, mas os resultados dependerão da continuidade dos investimentos, da formação de profissionais e da capacidade de transformar encontros institucionais em contratos, coproduções e circulação efetiva.
País busca ampliar visibilidade sem abandonar acesso interno
O conjunto de acontecimentos mostra duas frentes complementares da política cultural.
A primeira busca apresentar o Brasil em mercados e instituições internacionais, utilizando o cinema, os museus e as artes visuais como instrumentos de aproximação entre países.
A segunda procura fortalecer atividades dentro do território nacional, apoiando festas populares, projetos educacionais, comunidades quilombolas, escolas de música e ações em regiões periféricas.
O desafio será manter equilíbrio entre grandes eventos internacionais e o acesso cotidiano da população à cultura em escolas, bibliotecas, teatros, cinemas, museus e espaços comunitários.
A visibilidade alcançada no exterior ganha maior relevância quando também contribui para fortalecer artistas, instituições e públicos dentro do Brasil.
https://www.portalbr.com.br/cultura-brasileira-amplia-presenca-internacional-com-cinema-portinari-e-novos-investimentos/
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