Indústria farmacêutica no Brasil cresce, mas ainda enfrenta desafio de reduzir dependência externa

Indústria farmacêutica no Brasil cresce, mas ainda enfrenta desafio de reduzir dependência externa

Setor movimenta centenas de bilhões, amplia vendas e aposta em inovação, mas produção nacional de insumos segue como ponto estratégico para a segurança sanitária do país.

Brasília, 22 de junho de 2026 — A indústria farmacêutica brasileira vive um momento de expansão e transformação. Impulsionado pelo envelhecimento da população, aumento da demanda por medicamentos, avanço dos genéricos, digitalização do varejo e novas tecnologias em saúde, o setor se consolida como um dos mais estratégicos da economia nacional.

Segundo a Anvisa/CMED, o mercado farmacêutico brasileiro alcançou faturamento de aproximadamente R$ 160,7 bilhões em 2024, crescimento nominal de 12,9% em relação a 2023. No mesmo período, foram comercializadas 6,07 bilhões de embalagens, envolvendo 232 empresas, 7.289 nomes comerciais de produtos e 1.944 princípios ativos diferentes.

As projeções seguem positivas. Estimativas apresentadas no Sindusfarma apontam crescimento de 12,1% em 2025 e 10,6% em 2026 para o mercado farmacêutico, ainda que com desaceleração gradual nos anos seguintes.

No varejo, o desempenho também é expressivo. Dados da IQVIA citados pela Febrafar mostram que o mercado farmacêutico atingiu R$ 243,33 bilhões no acumulado de 12 meses até novembro de 2025, alta de 10,81% na comparação anual. Os genéricos também avançaram, com crescimento de 14,45% no mercado total.

Apesar dos números fortes, o Brasil ainda enfrenta um gargalo estrutural: a dependência de insumos farmacêuticos importados. O Ministério da Saúde informa que mais de 90% da matéria-prima usada no país para produção de insumos como vacinas e medicamentos é importada. A meta do governo é alcançar, em média, 70% de produção local em medicamentos, vacinas, equipamentos e outros insumos estratégicos para o SUS.

Esse ponto é decisivo porque a indústria farmacêutica não é apenas um setor comercial. Ela está diretamente ligada à soberania sanitária, ao abastecimento do SUS, ao acesso da população a tratamentos e à capacidade do país de responder a crises, como ocorreu durante a pandemia.

Outro eixo importante é a inovação. A Anvisa criou um comitê voltado ao acompanhamento regulatório de produtos e tecnologias inovadoras, com foco em medicamentos e produtos para saúde. A iniciativa busca aproximar regulação, pesquisa e desenvolvimento industrial, em sintonia com a Nova Indústria Brasil e o Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

O futuro da indústria farmacêutica brasileira, portanto, depende de três frentes: ampliar a produção nacional de insumos, fortalecer pesquisa e desenvolvimento e modernizar a regulação sem abrir mão da segurança. O país tem mercado consumidor, universidades, laboratórios públicos, empresas privadas e um sistema público de saúde capaz de induzir demanda.

A questão central é transformar escala de consumo em capacidade produtiva. Se conseguir avançar nessa direção, o Brasil poderá deixar de ser apenas um grande comprador de medicamentos para se tornar também um polo mais forte de inovação, fabricação e exportação em saúde.